"Eu quero fazer design como Chico faz músicas!" - foi a única conclusão à qual consegui chegar após ouvir, tardiamente, o Caravanas. Como em alguns perÃodos nossa vida fica estacionada num cantinho do escritório bagunçado, soterrada por prazos e afazeres e sociabilidades, nossos pequenos prazeres individuais ficam meio esquecidos, mas sempre ali, latentes. Até que certo dia comecei a cantarolar A Banda, enquanto desenvolvia algum material gráfico de algum cliente. E eis que aquele 'musicólatra' de todos os meus perfis de redes sociais resolveu reacender, porque embora eu não consiga escrever ou ler ouvindo músicas - nem mesmo instrumentais -, sempre gostei de desenvolver qualquer tipo de atividade visual com um bom som ao fundo - e vamos deixar claro que esse bom é bastante relativo hahaha...
Fui pro Spotify pronta para ouvir A Banda na voz do Chico, e não na minha, mas me deparei com canções novas - que já eram quase velhas, por terem sido lançadas em 2017. Na minha cabeça, o últim material do Chico tinha sido o álbum anterior, chamado... Chico. Muito bonitinho, por sinal, e que pude ouvir e ver algumas das músicas ao vivo há alguns anos. Ok, desisti d'A Banda e lá fomos nós para o Caravanas. Até que as letras roubaram a minha atenção do trabalho, que quando a composição é brilhante, ofusca qualquer outra coisa.
Nem vou me atrever a falar de melodia ou fazer análises mil, só ouvi o álbum inteiro, apenas ouvindo - e quão raro é a gente se dedicar apenas a ouvir algo, em dias tão visuais e multitarefa? Chico me venceu. E foi aà que eu senti uma alegria grande vinda não só de mim, mas especialmente da minha personagem designer, gritando 'ei, ei, eu quero ser designer como Chico é compositor!'. Quero que meus trabalhos sejam tão leves, tão brilhantes, tão bem resolvidos que, mesmo que só por alguns momentos de um dia soterrado por prazos e afazeres e sociabilidades, alguém pare, perceba, veja e sinta-se satisfeito.
Não é fácil - um amigo me contou que esteve num evento no qual Chico comentou sobre como sua rotina de trabalho - por mais que muitos acreditem no mito do talento, projetos e processos criativos são muito complexos e envolvem um trabalho bem árduo para se concretizarem - envolvia acordar cedo, dar uma caminhada na praia e se trancar em um estudiozinho, compondo e testando melodias até a hora do almoço, na qual ele fazia uma pausa e retomava seu processo até tarde e, após um bom tempo, ter alguns versos suficientemente bons e cercar-se dos melhores músicos para desenvolver os melhores arranjos. No geral, é um trabalho isolado, cansativo, mas que ao final é tão bonito que dá vontade de tocá-lo ao vivo, para que mais gente sorria junto conosco.
E é isso. Eu sei que não é talento, não é relato de experiência própria, não é rápido, simples ou fácil, mas nada me amofina: como profissional criativa, quero fazer design como Chico faz músicas. Espero, inclusive, ainda estar tão disposta a trabalhar quanto ele está, agora aos 73 anos. <3
Fui pro Spotify pronta para ouvir A Banda na voz do Chico, e não na minha, mas me deparei com canções novas - que já eram quase velhas, por terem sido lançadas em 2017. Na minha cabeça, o últim material do Chico tinha sido o álbum anterior, chamado... Chico. Muito bonitinho, por sinal, e que pude ouvir e ver algumas das músicas ao vivo há alguns anos. Ok, desisti d'A Banda e lá fomos nós para o Caravanas. Até que as letras roubaram a minha atenção do trabalho, que quando a composição é brilhante, ofusca qualquer outra coisa.
Nem vou me atrever a falar de melodia ou fazer análises mil, só ouvi o álbum inteiro, apenas ouvindo - e quão raro é a gente se dedicar apenas a ouvir algo, em dias tão visuais e multitarefa? Chico me venceu. E foi aà que eu senti uma alegria grande vinda não só de mim, mas especialmente da minha personagem designer, gritando 'ei, ei, eu quero ser designer como Chico é compositor!'. Quero que meus trabalhos sejam tão leves, tão brilhantes, tão bem resolvidos que, mesmo que só por alguns momentos de um dia soterrado por prazos e afazeres e sociabilidades, alguém pare, perceba, veja e sinta-se satisfeito.
Não é fácil - um amigo me contou que esteve num evento no qual Chico comentou sobre como sua rotina de trabalho - por mais que muitos acreditem no mito do talento, projetos e processos criativos são muito complexos e envolvem um trabalho bem árduo para se concretizarem - envolvia acordar cedo, dar uma caminhada na praia e se trancar em um estudiozinho, compondo e testando melodias até a hora do almoço, na qual ele fazia uma pausa e retomava seu processo até tarde e, após um bom tempo, ter alguns versos suficientemente bons e cercar-se dos melhores músicos para desenvolver os melhores arranjos. No geral, é um trabalho isolado, cansativo, mas que ao final é tão bonito que dá vontade de tocá-lo ao vivo, para que mais gente sorria junto conosco.
E é isso. Eu sei que não é talento, não é relato de experiência própria, não é rápido, simples ou fácil, mas nada me amofina: como profissional criativa, quero fazer design como Chico faz músicas. Espero, inclusive, ainda estar tão disposta a trabalhar quanto ele está, agora aos 73 anos. <3


